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Resenha: "Americanah", de Chimamanda Ngozi Adichie

  • Foto do escritor: Bruna Beltrão
    Bruna Beltrão
  • 15 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

Uma obra fascinante sobre negritude, identidade e imigração.

O livro "Americanah", escrito pela autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é uma excelente obra da literatura nigeriana que trata das questões de raça, gênero e identidade, inseridas no contexto da imigração.


Chimamanda Ngozi Adichie

Selecionado pelo New York Times como um dos melhores livros do ano, "Americanah" é escrito em estilo sagaz e autêntico, que proporciona ao leitor uma leitura fluida, bem humorada e marcante.


O livro conta a história de Ifemelu, uma garota nigeriana que vê seu país imerso na ditadura militar e decide migrar para os Estados Unidos, para que consiga estudar.


Ifemelu fora ensinada desde criança a pensar o estrangeiro como uma sociedade moderna e evoluída. No entanto, quando chega aos EUA, essa concepção logo é frustrada.


Assim que chega, ela passa a enfrentar uma realidade esmagadora em que sofre diariamente com o racismo explícito e o racismo estrutural.


Em busca do próprio sustento, a protagonista concilia trabalho e estudos, ao passo que também vivencia um processo de descoberta identitária, marcado por diversos desafios em virtude de sua cor de pele.


O ambiente estadunidense que a cerca faz com que se questione a todo instante. Muitas vezes, inclusive, tendo de abandonar a própria identidade na tentativa de se "adaptar" àquela realidade.


O interessante do livro é justamente esse processo de autocrítica e descoberta pessoal que Ifemelu vivencia. Ao mesmo tempo em que se distancia de si, suas reflexões também a conduzem a retornar à própria identidade.


Nesse sentido, a obra nos propõe uma leitura profunda da protagonista - uma personagem dotada personalidade e inteligência, com a qual simpatizamos desde o início.




"Americanah" é, certamente, uma das melhores leituras que tive esse ano. Além de trazer temáticas muito pertinentes, é uma obra que prendeu a minha atenção do início ao fim.


Escolhi resenhá-la porque, além de ser uma excelente recomendação, também é escrita por uma autora negra.


Se pararmos para refletir, talvez tenhamos lido poucos autores negros até então. Seja por não ter tido oportunidade de conhecê-los, seja por nunca sequer ter ouvido falar deles.


Contudo, é crucial que nós, enquanto leitores, leiamos cada vez mais autores negros e participemos da luta em favor da negritude. Uma forma de ter essa participação é dar voz à essa literatura tão rica e vasta e permitir-se, portanto, conhecer e compreender as lutas e particularidades vivenciadas pelas realidades negras.



A partir deste post, você poderá ter a oportunidade de ler uma autora negra extremamente consagrada ao redor do mundo. Tenho certeza que irá gostar!:)

Se você é novo por aqui, inscreva-se para ficar sabendo quando houver um post novo. Os posts são publicados às terças, quintas e sábados, às 18 horas.


O Profusão Literária é um blog novo, mas pretendo acrescentar muitas resenhas, dicas e discussões por aqui.


Espero vê-lo em breve e tenha uma boa leitura! :)


Bruna Pastana Beltrão.


 
 
 

3 comentários


Yasmin Christine
Yasmin Christine
16 de ago. de 2020

Sempre um prazer ler seus posts!

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Haddam Menezes
Haddam Menezes
16 de ago. de 2020

Parabéns pela leitura da referida obra, por escrever e compartilhar a resenha enxuta da mesma. Os EUA costumam acolher seus imigrantes latinos, hispânicos e afros com a mesma hospitalidade que dispensaram no cinema ao personagem King Kong, que aliás serve como metáfora sobre a mancha americana da escravatura sobre o povo africano transportados como animais comerciais nos porões dos navios negreiros cruzando o Atlântico.

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Karine Pastana
Karine Pastana
15 de ago. de 2020

Autora negra e nigeriana! Parabéns Bruna pela escolha do Post de Hoje! Vc prestou serviço a uma causa social que muito deve ser estudada e discutida!

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