#3 "Vidas Secas" | Livros que todo mundo deveria ler
- Bruna Beltrão
- 10 de set. de 2020
- 4 min de leitura
Vidas Secas é um grande clássico da Literatura Brasileira, publicado pelo autor Graciliano Ramos, em 1938.
A obra pertence à segunda fase do movimento modernista da Literatura e narra a trajetória de uma família de retirantes do sertão nordestino.
Sendo considerado por muitos como um dos melhores trabalhos do autor, Vidas Secas foi adaptado para o cinema em 1963, sendo posteriormente eleito o 3º melhor filme nacional segundo a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), além de ter recebido o prêmio do Festival de Cannes, na França, em 1964.
Graciliano Ramos foi romancista, jornalista e político brasileiro. Com Vidas Secas, chegou a ganhar diversos prêmios, com destaque para o prêmio da Fundação William Faulkner (Estados Unidos), como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea, em 1962.
Neste post, trago para você a 3ª recomendação do quadro Livros que todo mundo deveria ler, no qual semanalmente indico aos leitores do blog obras imperdíveis que todos devem conhecer.
Os posts são publicados todas as quintas-feiras, às 18h, mas, caso deseje ser notificado quando uma nova recomendação for postada, basta registrar-se no Profusão Literária assim que terminar de ler este post.
Sem mais delongas, vamos conhecer mais sobre Vidas Secas...
Narrado em 3ª pessoa, o livro trata das mazelas vivenciadas por uma família de retirantes nordestinos que vive em meio à miséria e ao descaso do governo.
A cada capítulo, as emoções e pensamentos das personagens são descritos com precisão e secura, de modo que somos a todo instante sensibilizados pela amarga realidade de cada um deles.
A família é composta por Fabiano (pai), Sinhá Vitória (mãe), Menino mais velho (filho), Menino mais novo (filho) e Baleia (cachorra), sendo esta última também uma personagem importante, visto que é considerada um membro da família e seus "pensamentos" são igualmente descritos pelos autor.
O livro começa com um cenário miserável: os 5 personagens caminham sob o sol escaldante rumo a outra região para fugir da seca.
A caminhada é longa e eles estão famintos e cansados. Urubus rodeiam a família, na esperança de que um deles caia morto e sirva como uma boa refeição.
Mesmo após conseguirem um lugar para ficar temporariamente, a miséria continua a fazer parte de suas vidas. A preocupação com novos tempos de seca passa a tomar conta dos pensamentos dos retirantes, os quais, provavelmente, continuarão a migrar sazonalmente.
Ao longo do livro, Graciliano atribui a cada personagem singularidades próprias, assim como dúvidas e sonhos interiores que, muitas vezes, sequer conseguem expressar.
Fabiano, por exemplo, é um homem de poucas palavras. Por não ter instrução alguma, não compreende contas matemáticas, e tampouco sabe se comunicar utilizando palavras ou formulando sentenças. Em vez disso, fala através de grunhidos e gestos, o que passa a assemelhá-lo a um animal.
Sinhá Vitória, por sua vez, já consegue se comunicar melhor e, inclusive, entende um pouco de dinheiro e ajuda Fabiano quando este recebe o pagamento e desconfia que o patrão lhe paga menos do que deveria.
A cansativa e miserável rotina da Sinhá faz com que seu maior sonho de consumo seja ter uma cama de armação couro, em vez de dormir em tábuas de madeira.
Os filhos tampouco são humanizados. Sendo chamados por "Menino mais velho" e "Menino mais novo", as crianças também possuem suas amarguras. O primeiro, ainda que veja a brutalidade do pai, deseja ser igual a ele; e o segundo, sonha em aprender mais sobre palavras, visto que seus pais pouco falam.
A cachorra Baleia é uma personagem muito marcante da obra, em razão da humanização que o autor confere a ela. Enquanto os humanos são animalizados, Baleia é dotada de personalidade, pensamentos e sonhos, cativando sentimentalmente o leitor.
Nos capítulos dedicados a ela, Baleia pensa nas crianças, em seus afazeres e até sonha com um mundo utópico cheio de preás para caçar. O que Baleia mais deseja é o fim da miséria e da fome para sua família.
Vidas Secas possui 13 capítulos e, curiosamente, estes podem ser lidos de maneira aleatória, com exceção do 1º e do 2º. Cada um deles, problematiza aspectos diferentes da miséria, mas, mesmo assim, dão a impressão de que aquela realidade amarga sempre se repetirá.
A meu ver, não se trata se uma história feita de início, meio e fim, mas de um ciclo eterno, em que os retirantes migram com a chegada do seca, se estabelecem em um novo local e são explorados pelos patrões e desalentados pelas autoridades. Pouco tempo depois, começa o novo período da seca e, então, eles migram novamente. E o ciclo se repete, como se a miséria daquela família nunca fosse desaparecer.
Particularmente, considero Vidas Secas uma obra que mexe com o leitor sentimentalmente, assim como Quarto de Despejo, visto que ambas tratam com profundidade a temática da miséria. Ainda assim, não a considero uma leitura difícil, visto que o livro é curto e os diálogos são relativamente simples.
Certamente, Vidas Secas é uma leitura que todos devem ler. Além de ser um clássico da Literatura Brasileira, a obra possui grande importância social ao alertar para sérias problemáticas que ocorriam (e ainda ocorrem) dentro de nosso país. Se você ainda não a conhecia ou nunca teve a oportunidade de lê-la, leia o quanto antes. Garanto que valerá a pena!
Não deixe de conferir os primeiros posts do quadro Livros que todo mundo deveria ler:
Tenha uma boa leitura!
Até breve :)
Bruna Pastana Beltrão.
E-mail: brunabeltraoob@gmail.com








![[Resenha] "A Mulher na Janela" 🔎 🏠](https://static.wixstatic.com/media/202c8f_102eb5669d5f4165bfa9d04bd6830bcf~mv2.jpg/v1/fill/w_700,h_1006,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/202c8f_102eb5669d5f4165bfa9d04bd6830bcf~mv2.jpg)
![[Resenha] "Um Pressentimento Funesto"⚰️🕵🏽♂️](https://static.wixstatic.com/media/202c8f_5f33a7617abf42abadf5197f87515b0a~mv2.jpg/v1/fill/w_626,h_417,al_c,q_80,enc_avif,quality_auto/202c8f_5f33a7617abf42abadf5197f87515b0a~mv2.jpg)

Ótima dica de livro! Já anotei aqui na minha lista!
Miséria e desigualdade social, temas SEMPRE tão ATUAIS em nosso País, independentemente da ÉPOCA em que foram abordados...