#5 "O Conto da Aia" | Livros que todo mundo deveria ler
- Bruna Beltrão
- 24 de set. de 2020
- 3 min de leitura
Publicado em 1985, O Conto da Aia é um dos grandes clássicos de todos os tempos da Literatura Distópica...
Sendo escrito por Margareth Atwood, o livro descreve a vida em uma sociedade distópica, em que grande parte das mulheres se tornara infértil e vivia sob um sistema ditatorial em que não possuíam direito algum.
A função dessas mulheres era resumida a reproduzir (no caso daquelas que ainda fossem férteis) e cuidar dos afazeres domésticos.
Por explorar com tanta maestria e inteligência a histórica subjugação feminina, o livro foi muito aclamado pela crítica e teve uma forte contribuição para a consolidação da carreira da autora.
Margareth Atwood é uma escritora canadense, romancista e crítica literária reconhecida internacionalmente e admirada por milhões de pessoas ao redor do mundo.
Com O conto da Aia, chegou a conquistar diversos prêmios, dentre eles o Governor General's Awards, de 1985 e o Prêmio Arthur C. Clarke, em 1987. O livro recebeu adaptação cinematográfica em 1990 e também foi adaptado para uma série de TV em 2017, fazendo grande sucesso entre o público.
Neste post, trago para você a 5ª recomendação do quadro Livros que todo mundo deveria ler, no qual semanalmente indico aos leitores do blog obras imperdíveis que todos devem conhecer.
Os posts são publicados todas as quintas-feiras, mas, caso deseje ser notificado quando uma nova recomendação for postada, basta registrar-se no Profusão Literária assim que terminar de ler este post. Sem mais delongas, vamos conhecer mais sobre O Conto da Aia...
Narrado em 1ª pessoa pela protagonista Offred, o livro se passa na sociedade distópica da "República de Gilead", onde estaria localizado antigamente os Estados Unidos. Após os EUA terem vivenciado uma grande revolução teocrática, o país passara a ser comandado por radicais cristãos, que se valiam de interpretações radicais do Antigo Testamento para justificar a ditadura estabelecida. As mulheres, por exemplo, eram consideradas inferiores e se encontravam no extrato mais subjugado da sociedade, tendo como únicas funções a reprodução e os serviços domésticos. Além disso, elas eram divididas em castas, conhecidas por "Tias", "Marthas", "Esposas" e "Aias". As Tias eram as responsáveis por educar as mulheres para a submissão aos homens e, principalmente, para aceitarem submeter seus corpos à reprodução forçada que ocorria (daqui a pouco falarei mais sobre isso). As Marthas eram responsáveis pelos afazeres domésticos, as Esposas cuidavam da administração da casa e, por fim, as Aias tinham a função de reproduzir. A narradora Offred é uma dessas Aias. Ao longo da narrativa, Offred no apresenta o cenário em que se encontra: forçosamente, ela vive na casa de um Comandante e tem como única função gerar um filho para a família. No decorrer do enredo, ela explica que, em virtude de conflitos entre os países, grande quantidade de radiação havia afetado a população, deixando muitas mulheres inférteis. Como muitas delas não estavam mais aptas à reprodução, os radicais cristãos passaram a recrutar as mulheres férteis à força, com o intuito de que reproduzissem para outras famílias em que as Esposas não pudessem ter filhos. Logo, o leitor percebe que nesse cenário as mulheres não possuem direito algum. Seus passos são fiscalizados e seus corpos, violados. Aquelas que demonstram o menor sinal de oposição são perseguidas e mesmo mortas pelo governo. Offred, por exemplo, fora tirada de sua família para servir a uma família com o intuito de reproduzir. Ela retrata em sua narrativa as dores de estar naquele lugar, assim como a falta que sente do filho e do marido. Por intermédio dos pensamentos de Offred, passamos a entrar em contato com grandes críticas sociais acerca da submissão feminina e da possibilidade de vivenciarmos, na prática, algo semelhante ao que ocorria na República Gilead. A maestria de Margareth está justamente nesse ponto.
Para quem não sabe, em 1979, ocorreu na História mundial a Revolução Islâmica, a partir da qual o Irã se tornou uma República Islâmica teocrática, em que as mulheres foram extremamente subjugadas. Em O Conto da Aia, Margareth quis justamente nos dizer que a possibilidade de ascensão de um regime autoritário pode estar em qualquer lugar, e a inferiorização da mulher sempre poderá vir como consequência disso. Particularmente, considero O conto da Aia uma obra-prima que mexe com leitor por intermédio de uma escrita crítica e muito bem construída. Trata-se, certamente, de uma leitura que todos devem ler. Além de ser um clássico da Literatura, a obra possui grande importância social por nos alertar sobre questões tão importantes quanto o perigo da dominação e do radicalismo. Se você ainda não a conhecia ou nunca teve a oportunidade de lê-la, leia o quanto antes. Garanto que valerá a pena! Não deixe de conferir os primeiros posts do quadro Livros que todo mundo deveria ler: #1 "Orgulho e Preconceito" #2 "O Assassinato de Roger Ackroyd" #3 "Vidas Secas" #4 "1984" Tenha uma boa leitura! Até breve :)
Bruna Pastana Beltrão. E-mail: brunabeltraoob@gmail.com.









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